Pesquisa, enquete do redeemgiro Por: Lucas Vasques / Fotos: Divulgação/Beneficência Portuguesa
Considerado um dos problemas de saúde mais frequentes do mundo
moderno, o estresse possui diferentes possibilidades, tanto no que se
refere ao diagnóstico quanto à forma de tratamento– das doenças
ocasionadas por ele e das suas origens. Na avaliação do psicólogo Armando
Ribeiro das Neves Neto, o estresse é uma reação psicofisiológica
natural de adaptação diante de ameaças. “Os hormônios do estresse
preparam nosso organismo para enfrentar perigos (reais ou imaginários),
mas a ativação prolongada desse mecanismo gera o ‹estresse crônico› ou
‹estresse tóxico›, tornando o organismo mais vulnerável às doenças
(físicas e emocionais) e infecções”.
Ribeiro coordena o Programa de Avaliação do Estresse da
Beneficência Portuguesa de São Paulo e do Hospital São José. Segundo o
psicólogo, ele desenvolve um serviço baseado no rastreio (combinação
entre conceitos da Psicologia da Saúde, Psicologia Positiva e Medicina
Integrativa) de fatores psicológicos e comportamentais no meio médico.
Este, por sua vez, é tradicionalmente focado nos exames clínicos e
laboratoriais de alta complexidade, mas não vê o sujeito como um todo.
Em seu vasto currículo, Ribeiro é mestre em Ciências,
especialista em Bases da Medicina Integrativa e especialista em
Neuropsicologia. Tem aprimoramento em Psico-Oncologiae é consultor do
programa Saúde Emocional, do canal FoxLife. É professor de Medicina
Comportamental e supervisor clínico da pós-graduação em Terapia
Cognitivo-Comportamental e da Unidade de Medicina Comportamental do
departamento de Psicobiologia da UNIFESP.
O ESTRESSE PODE SER CONSIDERADO UMA DOENÇA
OU UM FATOR DE MOTIVAÇÃO PARA O SURGIMENTO DE DOENÇAS, ESPECIALMENTE AS
QUE AFETAM O LADO PSICOLÓGICO?
ARMANDO RIBEIRO – O estresse é uma reação psicofisiológica
natural de adaptação diante das ameaças. Os hormônios do estresse
preparam nosso organismo para enfrentar perigos (reais ou imaginários),
mas a ativação prolongada desse mecanismo gera o “estresse crônico” ou
“estresse tóxico” ou “distresse”, tornando o organismo mais vulnerável
às doenças (físicas e emocionais) e infecções. Atualmente, existe uma
corrente de pesquisa sobre estresse, que defende a expressão “carga
alostática” para se referir ao desgaste do organismo em manter a
produção prolongada dos hormônios do estresse (principalmente a
adrenalina, a noradrenalina e o cortisol).
VOCÊ DESENVOLVE UM TRABALHO EM PSICOTERAPIA
PARA O DIAGNÓSTICO E TRATAMENTO DE ANSIEDADE, FOBIAS, DEPRESSÃO,
IRRITABILIDADE, INSÔNIA, PÂNICO E TRAUMAS. EXISTE ALGUMA RELAÇÃO ENTRE
ESSES PROBLEMAS E O ESTRESSE?
RIBEIRO – O estresse crônico pode ser o “gatilho” para o
aparecimento de transtornos mentais (ansiedade, fobias, depressão,
irritabilidade, insônia, pânico e traumas). É comum, no consultório,
ouvirmos que, antes do início dos sintomas da doença, o paciente se
encontrava no limite de sua capacidade de lidar com as fontes de
estresse (problemas financeiros, crises afetivas, problemas de
relacionamento no trabalho, sobrecarga no trabalho). Existe uma teoria
que diz respeito à relação entre “diástese - estresse”, ou seja, nossa
predisposição às doenças (diástese) e o gatilho “estresse” como forma de
pensar nele como disparador das doenças mais comuns. Atualmente, também
reconhecemos o papel do estresse na epigenética, ou seja, na influência
do estresse crônico, seja na ativação ou desativação de genes, que
predispõem ou nos protegem de doenças.
Didaticamente, dizemos
que existem fontes externas (poluição ambiental, alimentos com
agrotóxicos, extremos climáticos, microrganismos etc.) e fontes internas
(pensamentos catastróficos, pessimismo, perfeccionismo, pensamento do
tipo “tudo ou nada”, esquemas cognitivos desadaptativos etc.), que
motivam o estresse
O ESTRESSE INTERFERE NO FUNCIONAMENTO DOS
NEURÔNIOS, O QUE PREJUDICA O FUNCIONAMENTO DE UMA MENTE SAUDÁVEL. ESSES
NEURÔNIOS ‘BOMBARDEADOS’ PELO ESTRESSE PODEM SER RECUPERADOS?
RIBEIRO – Neurocientistas da Universidade de Stanford, nos
Estados Unidos, já demonstraram que o cortisol pode destruir neurônios,
principalmente, na região do hipocampo (associada à memória).
Atualmente, também se descobriu que o estresse tóxico diminui a função
do córtex pré- -frontal (responsável por diversas funções cognitivas
complexas, tais como atenção, aprendizagem, planejamento, flexibilidade
cognitiva etc.), literalmente o estresse tóxico “desliga” o córtex
pré-frontal e estimula a atividade do sistema límbico, aumentando os
estados de ansiedade, medos, fobias e outras. Somente nos últimos anos é
que foi comprovado que tratamentos psicopsicológicos “antiestresse”
podem estimular a neurogênese em locais ‘bombardeados’ pelos hormônios
do estresse.
O ESTRESSE É CONSIDERADO UM PROBLEMA DA
VIDA MODERNA E HÁ MUITAS CONTROVÉRSIAS A RESPEITO DAS RAZÕES QUE LEVAM A
ESSE ESTADO. PARA ACABAR COM AS DÚVIDAS, DEFINITIVAMENTE, O QUE PROVOCA
O ESTRESSE E QUAIS OS SINTOMAS?
RIBEIRO – Didaticamente, dizemos que existem fontes externas
(poluição ambiental, alimentos com agrotóxicos, extremos climáticos,
microrganismos etc.) e fontes internas (pensamentos catastróficos,
pessimismo, perfeccionismo, pensamento do tipo “tudo ou nada”, esquemas
cognitivos desadaptativos etc.). Nossa sociedade evoluiu bastante em
termos de controlar ou reduzir o estresse ambiental, mas pouco ainda
conquistamos em termos de uma educação infantil ou de valores sociais
que promovam as virtudes humanas, tais como resiliência, solidariedade,
compaixão, temperança, autocontrole e por aí vai. Numa sociedade
altamente competitiva e baseada no medo, os hormônios do estresse são
estimulados precocemente.
ANTIGAMENTE, AS PESSOAS NÃO TINHAM OS
RECURSOS TECNOLÓGICOS, FORMAS DE COMUNICAÇÃO, FACILIDADES DE TRANSPORTE,
ENFIM, NÃO HAVIA TANTAS POSSIBILIDADES DE SE OBTER QUALIDADE DE VIDA,
EM RELAÇÃO AO CENÁRIO ATUAL. ANTES, A VIDA ERA MAIS DIFÍCIL, NO SENTIDO
FÍSICO, POIS O TRABALHO ERA EM LAVOURA, AS MULHERES COZINHAVAM À LENHA E
PASSAVAM ROUPA NO CARVÃO. NO ENTANTO, NÃO SE OBSERVAVA A OCORRÊNCIA,
PELO MENOS EM GRANDE INCIDÊNCIA, DE ESTRESSE E OUTROS PROBLEMAS
SIMILARES. POR QUE ISSO ACONTECE?
RIBEIRO – O conceito médico do estresse é contemporâneo (a
partir do século XX), mas outras tradições médicas já observavam que
haveria uma condição geral que propiciava o maior risco de adoecimento
físico e emocional. O estudo do estresse teve importantes precursores.
Contudo, os estudos sobre os aspectos psicológicos do estresse (modelo
cognitivo) só ganharam força a partir dos estudos de Richard Lazarus
(1966). Podemos considerar que o estresse do homem do campo era,
principalmente, físico (exposição ao sol, longas horas de trabalho
manual, fome etc.). Atualmente, melhoramos nossas condições físicas e
pouco fizemos em direção a criar gerações mais “resilientes” ao estresse
social, onipresente em nossas sociedades. Acredito que a melhor
“vacina” antiestresse é oferecida nos primeiros anos de vida, por meio
de famílias estruturadas, modelos de resolução de problemas eficientes e
uma escola emocionalmente equilibrada.
O TERMO ESTRESSE SE VULGARIZOU AO LONGO DO
TEMPO. COMO DETECTÁ-LO E COMO SE PODE CHEGAR À CONCLUSÃO DE QUE OS
SINTOMAS SÃO CONSEQUÊNCIA DESSE PROBLEMA OU DE ALGUM OUTRO DISTÚRBIO
MENTAL OU FÍSICO ESPECÍFICO? E COMO PODEMOS DIFERENCIAR O ESTRESSE
PATOLÓGICO DO CANSAÇO, DA FADIGA CRÔNICA?
RIBEIRO – O problema do termo “estresse” é que ele se equiparou
ao termo “virose” ou “doença psicossomática”, ou seja, se torna um meme
com vida própria e indistinto de sua definição original. Atualmente, é
possível avaliarmos o nível de estresse em que se encontram os
pacientes, por meio de testes psicológicos validados pelo Sistema de
Avaliação de Testes Psicológicos do Conselho Federal de Psicologia
(SATEPSI – CFP), da avaliação psicofisiológica (por intermédio de
equipamentos de biofeedback – variabilidade da frequência cardíaca,
resistência galvânica da pele etc./ Neurofeedback – ondas cerebrais) e,
também, de exames laboratoriais (níveis de cortisol/ adrenalina). A
avaliação de um profissional da saúde especializado é fundamental para
diferenciarmos entre condições patológicas. Portanto, a abordagem ao
estresse deve ser multiprofissional.
Melhoramos nossas condições
físicas e pouco fizemos em direção a criar gerações mais “resilientes”
ao estresse social. Acredito que a melhor “vacina” antiestresse é
oferecida nos primeiros anos de vida, por meio de famílias estruturadas,
modelos de resolução de problemas eficientes e uma escola
emocionalmente equilibrada
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PESQUISAS INDICAM QUE, PARA CADA HOMEM
DIAGNOSTICADO, DUAS MULHERES SE RESSENTEM DO PROBLEMA. VOCÊ PODE
EXPLICAR QUAIS AS DIFERENÇAS PSICOLÓGICAS ENTRE AMBOS QUE DETERMINAM
ESSE FATO?
RIBEIRO – Pesquisas nacionais e internacionais têm obtido
resultados semelhantes, ou seja, existe, em média, duas mulheres com
diagnóstico de estresse crônico para cada homem. O principal argumento é
em relação aos múltiplos papéis da mulher na sociedade contemporânea. A
sobrecarga delas, que assumiram diversos papéis na vida, é um dos
principais motivos para o estresse ter aumentado. Uma pesquisa da
Nielsen, com 6.500 mulheres de 21 países, revelou que as brasileiras
ocupam a quarta colocação entre as mais estressadas, com 67% das
pesquisadas. As três primeiras colocações ficaram com Índia (87%),
México (74%) e Rússia (69%).
ESSE QUADRO SE REPETE EM RELAÇÃO ÀS
CRIANÇAS? COMO PAIS E PROFESSORES PODEM IDENTIFICAR O PROBLEMA? MUITOS
TENDEM A JULGAR ALGUNS COMPORTAMENTOS COMO MANHA, MAU COMPORTAMENTO ETC.
O TRATAMENTO EM CRIANÇAS E ADOLESCENTES É DIFERENTE DO QUE É FEITO EM
ADULTOS?
RIBEIRO – Cada vez mais crianças e adolescentes vão aos
consultórios (pediatras e psicólogos clínicos) com queixa ou sintomas de
estresse crônico.Os sintomas do estresse, em crianças e adolescentes,
podem ser diferentes dos encontrados em adultos. Segue uma lista dos
principais sintomas infantis: sintomas físicos – diarreia, dor de
barriga, dor de cabeça, enurese noturna, falta de apetite, gagueira,
hiperatividade, mãos frias esuadas, náuseas, ranger dos dentes, tensão
muscular e tique nervoso; sintomas psicológicos – introversão súbita,
terror noturno, agressividade, ansiedade, hipersensibilidade,
dificuldades interpessoais, pesadelos, preocupação, impaciência,
insegurança, desobediência, medo ou choro excessivo.
NINGUÉM FICA ESTRESSADO DO DIA PARA A
NOITE. NA PRÁTICA, OCORRE UMA MUDANÇA LENTA E GRADUAL NA PESSOA. É
POSSÍVEL PERCEBER E COMBATER O PROBLEMA ANTES DE ELE ESTAR
DEFINITIVAMENTE INSTALADO?
RIBEIRO – O estresse agudo, que aparece em situações pontuais, é
rápido e naturalmente adaptativo, mas é o estresse crônico que preocupa
os especialistas, porque as pessoas vão ignorando o custo de se
manterem tensas por muito tempo, produzindo cargas tóxicas de hormônios
do estresse. No modelo quadrifásico do estresse, compreendemos que
existem quatro estágios de evolução dos sintomas: fase de alerta (mãos e
pés frios, boca seca, dor no estômago, aumento da transpiração, tensão e
dor muscular, aperto na mandíbula, ranger os dentes ou roer unhas ou a
ponta da caneta, diarreia passageira, dificuldade para dormir); fase de
resistência (queixas de memória, mal- -estar generalizado, formigamento
das extremidades, sensação de desgaste físico, mudança de apetite,
problemas dermatológicos, hipertensão arterial, irritabilidade e desejo
sexual diminuído); fase de quase- -exaustão (o processo de adoecimento
se inicia e os órgãos que possuírem maior vulnerabilidade genética ou
adquirida passam a mostrar sinais de deterioração); fase de exaustão
(diarreias frequentes, dificuldades sexuais, insônia, tiques nervosos,
hipertensão arterial, doenças dermatológicas, taquicardia, tontura
frequente, pesadelos frequentes, apatia, cansaço excessivo,
irritabilidade e angústia).
ALGUNS ESPECIALISTAS AFIRMAM QUE O
ESTRESSE, EM CERTA MEDIDA, FAZ BEM, POIS AUMENTA A PRODUTIVIDADE E
FORTALECE O SISTEMA IMUNOLÓGICO. O QUE ACHA DESSA ANÁLISE?
RIBEIRO – Muito cuidado! O estresse, inicialmente (fase de
alerta ou “eustresse”), potencializa os recursos do organismo, torna a
mente mais focada e ágil na resolução de problemas, mas, infelizmente,
ninguém fica nesse estado por muito tempo. Há empresas que fomentam a
cultura do estresse como algo positivo, mais produtividade em menos
tempo, mas ignoram que o ganho imediato será perdido com o aumento de
afastamentos por licença médica, perda da produtividade, perda da
criatividade, aumento do número de acidentes de trabalho, aumento da
rotatividade...
Pesquisas nacionais e
internacionais têm obtido resultados semelhantes, ou seja, existem, em
média, duas mulheres com diagnóstico de estresse crônico para cada
homem. O principal argumento é em relação aos múltiplos papéis da mulher
na sociedade contemporânea
OS PROFISSIONAIS, UNANIMEMENTE, DIZEM QUE O
REMÉDIO CONTRA O ESTRESSE É MUDAR O ESTILO DE VIDA. CONTUDO, NA
PRÁTICA, ISSO NÃO É TÃO SIMPLES. AS PESSOAS TÊM UMA ROTINA DITADA PELAS
OBRIGAÇÕES PROFISSIONAIS E PESSOAIS E NEM SEMPRE É POSSÍVEL ALTERÁ- -LA,
ALÉM DE DIFICULDADES INERENTES AO DIA A DIA. COMO LIDAR COM ISSO?
RIBEIRO – O estilo de vida pode ser fonte de estresse, mas
modificá-lo poderá, inicialmente, ser ainda pior. Em minha opinião,
existem mudanças mais fáceis e outras mais difíceis de serem
implementadas, caso a caso. Não podemos criar uma terapia “antiestresse”
mais estressante do que a própria vida do paciente. O meu trabalho é,
principalmente, voltado para que o paciente se torne consciente de sua
vida atual. Para isso, as práticas demindfulness (atenção plena) são,
atualmente, as estratégias mais bem utilizadas nos grandes centros
médicos, pois não impõem mudanças externas, mas, sim, que as pessoas
saiam do “piloto-automático” de suas vidas e voltem a perceber os ritmos
naturais, como a necessidade de se hidratar, de respirar profundamente,
de descanso, de sonoetc.
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VOCÊ PROCURA ESTUDAR E APLICAR AS
POSSIBILIDADES DE ASSOCIAÇÃO ENTRE ABORDAGENS PSICOTERAPÊUTICAS
CONVENCIONAIS, COMO TERAPIA COGNITIVO-COMPORTAMENTAL, E AS TERAPIAS
COMPLEMENTARES, COMO ACUPUNTURA, HIPNOSE, BIOFEEDBACK, MEDITAÇÃO ETC.
ESSAS FORMAS DE TRATAMENTO MAIS ALTERNATIVAS NÃO SOFREM PRECONCEITOS,
PRINCIPALMENTE NO AMBIENTE CIENTÍFICO?
RIBEIRO – As terapias integrativas vêm sendo amplamente
estudadas pela Medicina e Psicologia científicas atuais. O problema,
muitas vezes, não está nas terapias em si, mas no despreparo dos
profissionais que executarão tais abordagens. A falta de regulamentação
da formação nessas terapias, com critérios claros de proficiência
profissional, de um código de ética e de evidências científicas pode
aumentar o preconceito profissional. Mas sinto, infelizmente, que o
preconceito é, muitas vezes, maior nas associações de classe, que
regulamentam as profissões de saúde, do que nos meios acadêmicos. Alguns
conselhos profissionais avançaram na regulamentação de tais práticas,
tais comoos federais de Enfermagem, Fisioterapia, Odontologia e o
próprio Conselho Federal de Medicina. Quanto à Psicologia, temos,
apenas, duas resoluções específicas, uma para a prática da Hipnose e
outra para a Acupuntura (questionada no projeto do Ato Médico).
EXISTE ALGUM MOMENTO EM QUE O ESTRESSE PRECISA SER TRATADO COM MEDICAMENTOS?
RIBEIRO – Não existe remédio para o estresse, mas, sim, para as
doenças relacionadas a ele. Medicar o estresse seria como desligar um
alarme, que indica que estamos sob ameaça iminente. O melhor é entender
as causas e, aí sim, modificá-las. Temos dados oficiais, que descrevem
um aumento significativo da venda de medicações calmantes
(benzodiazepínicos) e antidepressivas, usadas pela população geral, mas é
importante compreender que elas não tratam as fontes do estresse e
podem mascarar o desconforto, resultado de um estilo de vida negativo.
Não somos contra a medicação, mas é preciso reconhecer que existem
abusos em nossa sociedade.
Há empresas que fomentam
a cultura do estresse como algo positivo, mais produtividade em menos
tempo, mas ignoram que o ganho imediato será perdido com o aumento de
afastamentos por licença médica, perda da produtividade, perda da
criatividade, aumento do número de acidentes de trabalho e aumento da
rotatividade
VOCÊ NÃO ACHA QUE HÁ UM RADICALISMO NO QUE
SE REFERE AO USO DE MEDICAMENTOS, OU SEJA, ALGUNS PROFISSIONAIS INDICAM
REMÉDIOS INADVERTIDAMENTE E OUTROS, SIMPLESMENTE, NÃO ACEITAM SUA
UTILIZAÇÃO?
RIBEIRO – É uma das questões complexas do sistema de saúde
atual, pois envolve desde a formação técnica especializada dos
«prescritores» até o interesse e pressão de uma poderosa indústria
farmacêutica. Sou defensor de uma postura equilibrada entre a indicação
precisa do medicamento e potencializar os recursos naturais de cura dos
próprios pacientes. Os medicamentos são bem-vindos em um programa amplo
de mudança do estilo de vida, mas não devem substituir o esforço pessoal
por uma vida com sentido e propósito.
O ESTRESSE ESTÁ RELACIONADO COM A ATIVIDADE
PROFISSIONAL, OU SEJA, HÁ PROFISSÕES MAIS SUSCETÍVEIS AO ESTRESSE? EM
CASO AFIRMATIVO, QUAIS SERIAM?
RIBEIRO – Sim. A atividade profissional pode, por si só,
representar uma fonte importante de estresse, tais como demonstram os
estudos com policiais e profissionais da área de segurança,
controladores de voo e motoristas de ônibus, executivos e
empreendedores, profissionais da saúde, professores e jornalistas. É
importante enfatizar que, além da carga do próprio trabalho, as fontes
internas de estresse são parte fundamental dessa equação. Por isso,
observaremos médicos, no mesmo plantão, em estado de calma e
concentração e, também, aqueles que estão sobrecarregados com o estresse
crônico.
Fonte:http://psiquecienciaevida.uol.com.br/ESPS/Edicoes/101/artigo313319-1.asp & http://psiquecienciaevida.uol.com.br/ESPS/Edicoes/101/artigo313319-2.asp