sexta-feira, 23 de março de 2018

sábado, 14 de outubro de 2017

quarta-feira, 6 de abril de 2016

Sigmund Freud está de volta


Neurocientistas confirmam que partes da teoria de Freud estão corretas

Sigmund Freud: ciência comprava que o recalque ou repressão provocam respostas físicas em pacientes. (Divulgação).

Os pacientes apresentaram diferenças na atividade cerebral quando tiveram lembranças traumáticas comparados com voluntários saudáveis em um estudo publicado na edição da revista JAMA Psychiatry do mês passado. Além de apoiar a teoria de Freud e ajudar a explicar uma das reclamações mais comuns ouvidas pelos neurologistas, a pesquisa poderia criar novas abordagens de tratamento para os pacientes cujos sintomas costumavam ser menosprezados pelos doutores no passado.
“Trata-se do primeiro artigo de que eu sou ciente que realmente mostra que eventos traumáticos prévios definitivamente podem desencadear esse tipo de resposta motora”, disse John Speed, professor de medicina e reabilitação física na Universidade de Utah em Salt Lake City, que não esteve envolvido na pesquisa. “Isso é muito estimulante”.

A pesquisa é uma das mais recentes que demonstram como dispositivos de escâner cerebral feitos por companhias como a Siemens AG, a General Electric Co. e a Royal Philips NV estão sendo usados para ajudar a desvendar sintomas neuropsiquiátricos que costumavam desconcertar os médicos.

Os cientistas utilizaram imagens de ressonâncias magnéticas (fMRI) para acompanhar mudanças no fluxo sanguíneo para áreas específicas do cérebro enquanto se perguntava aos participantes sobre seu passado, o que produziu vistas anatômicas e funcionais dos seus cérebros.

As lembranças reprimidas foram um princípio das teorias psicológicas de Freud sobre a natureza dos processos mentais inconscientes. O neurologista austríaco, que ficou conhecido como o pai da psicanálise, usou o termo repressão para descrever a forma em que eventos emocionalmente dolorosos podiam ser bloqueados fora da consciência. Este mecanismo de autoproteção, postulou Freud, podia criar sintomas psicossomáticos rotulados “histeria” na época, em um processo atualmente conhecido como conversão.

Os casos se manifestam tipicamente em forma de uma fraqueza ou paralisia em um lado do corpo, similar a um derrame. Entre os sintomas podem ocorrer convulsões não causadas por epilepsias. Os médicos nunca descobriram uma base neurológica para a condição – os cérebros, nervos e músculos dos pacientes pareciam estar normais –, o que os leva a acreditarem que os sintomas são psicossomáticos e criam a suspeita de que os pacientes estejam inventando suas doenças, disse Richard Kanaan, professor de psiquiatria na Universidade de Melbourne e um dos autores do estudo.

“Ainda é pouco entendido, até mesmo pela maioria dos médicos”, disse Speed, que tratou mais de 200 casos. “Eu tive inúmeros pacientes que me disseram que ninguém acreditava neles, ou que lhes disseram bruscamente que estavam fingindo”.

O estudo realizado por Kanaan e seus colegas da King’s College, em Londres, envolveu 12 pacientes com desordem de conversão e 13 adultos saudáveis sem a condição.

Modelo freudiano

Sistema avançado de fMRI da Siemens. (Divulgação).

Nos pacientes com conversão, a lembrança pareceu ativar uma área do cérebro conhecida como o córtex pré-frontal dorsolateral esquerdo, ao passo que outras lembranças – até mesmo as irritantes – em ambos os grupos de pacientes ativaram o hipocampo, uma parte do cérebro importante para a formação das lembranças.

“Trata-se, eu acho, da primeira exploração científica de algo como um modelo freudiano, que é ignorado há tempos”, disse Kanaan, em entrevista do seu escritório no Austin Hospital de Melbourne, no qual é diretor de psiquiatria.

A abordagem de Freud para tratar os pacientes com desordem de conversão consistia em desvelar o trauma suprimido mediante a psicoterapia e ajudar a relembrar e reprocessar essas lembranças para aliviar os sintomas.

Ainda que Freud não tivesse as ferramentas para explorar os mecanismos mediante os quais podia ocorrer a desordem da conversão, ele “acertou o conceito”, disse Speed. “A conversão é simplesmente uma manifestação física muito incomum e mais grave do estresse, na qual há um bloqueio de mensagens do ou para o cérebro”.

Freud está de volta

Neurocientistas descobrem que descrições biológicas do cérebro funcionam melhor se combinadas às teorias delineadas pelo pensador austríaco há um século.

Na primeira metade do século 20, as ideias de Sigmund Freud dominaram as explicações sobre o funcionamento da mente. Seu pressuposto básico era que nossas motivações permanecem em sua maior parte no inconsciente. Mais que isso, são mantidas longe da consciência, por uma força repressora. O aparato executivo da mente (o ego) rejeita iniciativas do inconsciente (o id) que estimulam comportamentos incompatíveis com nossa concepção civilizada de nós mesmos. A repressão é necessária porque esses impulsos se manifestam na forma de paixões incontroláveis, fantasias infantis e compulsões sexuais e agressivas.

Quando a repressão não funciona, dizia Freud até sua morte, em 1939, surgem as doenças mentais: fobias, ataques de pânico e obsessões. O objetivo da psicoterapia, portanto, era rastrear os sintomas neuróticos até suas raízes inconscientes e aniquilar seu poder através de sua confrontação com a análise madura e racional.

Conforme as pesquisas sobre a mente e o cérebro se sofisticaram, a partir da década de 1950, os especialistas se deram conta de que as evidências fornecidas por Freud eram bem tênues. Seu principal método de investigação não era a experimentação controlada, mas a simples observação de pacientes no cenário clínico, combinada a inferências teóricas. Os tratamentos com remédios ganharam força, e a abordagem biológica das doenças mentais deixou a psicanálise nas sombras. Se Freud estivesse vivo, é possível que até saudasse essa reviravolta.

Neurocientista muito respeitado até hoje, ele frequentemente fazia comentários como “as deficiências de nossa descrição provavelmente desapareceriam se já pudéssemos substituir os termos psicológicos por termos fisiológicos e químicos”.

Na década de 1980, os conceitos de ego e id eram considerados antiquados, mesmo em certos círculos psicanalíticos. Freud era passado. Na nova psicologia, o motivo de as pessoas deprimidas se sentirem mal não é a destruição das primeiras ligações sentimentais da infância – há um desequilíbrio nas substâncias químicas de seu cérebro. A psicofarmacologia, no entanto, não oferece uma grande teoria sobre a personalidade, as emoções e as motivações – uma nova concepção do que realmente governa o que sentimos e o que fazemos. Sem esse modelo, os neurocientistas concentraram seu trabalho em pontos específicos e deixaram de lado o quadro geral.

Esse quadro está voltando, e a surpresa é: não é muito diferente do que o delineado por Freud há um século. Ainda estamos longe de um consenso, mas um número cada vez maior de neurocientistas está chegando à mesma conclusão de Eric R. Kandel, da Universidade Columbia, o Prêmio Nobel de 2000 em fisiologia ou medicina: a psicanálise “ainda é a visão da mente mais intelectualmente satisfatória e coerente”.

Freud está de volta, e não apenas na teoria. Grupos interdisciplinares reunindo os campos antes distantes e muitas vezes contrários da neurociência e da psicanálise se formaram em praticamente todas as grandes cidades do mundo. Essas redes, por sua vez, uniram-se na Sociedade Internacional de Neuropsicanálise, que organiza um congresso anual e publica a bem-sucedida revista Neuro-Psychoanalysis. O conselho editorial da publicação, formado por uma constelação de especialistas da neurociência comportamental contemporânea – incluindo Antonio R. Damasio, Kandel, Joseph E. LeDoux, Benjamin Libet, Jaak Panksepp, Vilayanur S. Ramachandran, Daniel L. Schacter e Wolf Singer -, é o maior testemunho do renovado respeito pelas ideias de Freud.

Juntos, esses pesquisadores estão desenvolvendo o que Kandel chama de “novos parâmetros intelectuais para a psiquiatria”. Dentro desses parâmetros, a ampla organização da mente esboçada por Freud parece destinada a funcionar como a teoria da evolução de Darwin em relação à genética molecular – um modelo ao qual novos detalhes vão se ajustando. Ao mesmo tempo, neurocientistas revelam provas de algumas das teorias de Freud e desvendam os mecanismos que estão por trás dos processos mentais descritos por ele.

Motivação Inconsciente

Quando Freud introduziu a noção central de que a maioria dos processos mentais que determinam nossos pensamentos, sentimentos e desejos, acontece inconscientemente, a ideia foi rejeitada. Mas descobertas atuais confirmam a existência e o papel essencial dos processos mentais inconscientes. Um exemplo é que o comportamento de pacientes incapazes de lembrar os acontecimentos passados por causa de danos a estruturas que armazenam lembranças no cérebro é claramente influenciado pelos fatos “esquecidos”. Os neurocientistas cognitivos analisam casos assim, determinando sistemas de memória diferentes, que processam a informação “explicitamente” (conscientemente) ou “implicitamente” (inconscientemente). Freud havia dividido a memória da mesma forma.

Os neurocientistas também identificaram sistemas de memória que controlam o aprendizado emocional. Em 1996, na Universidade de Nova York, LeDoux demonstrou a existência, sob o córtex consciente, de uma via neuronal que conecta informações de percepção com estruturas primitivas do cérebro responsáveis pela geração de reações de medo. Como essa via atravessa o hipocampo – que gera memórias conscientes -, acontecimentos do presente desencadeiam lembranças emocionalmente importantes, provocando sensações conscientes que parecem irracionais, como “homens de barba me dão arrepios”.

A neurociência mostrou que as principais estruturas cerebrais essenciais para a formação de memórias conscientes não são funcionais durante os dois primeiros anos de vida, explicando o que Freud chamou de amnésia infantil. Como supôs Freud, não é que tenhamos esquecido nossas lembranças mais antigas; simplesmente não conseguimos trazê-las à consciência. Mas essa incapacidade não as impede de afetar os sentimentos e o comportamento adultos. Seria difícil encontrar um neurobiólogo que não concorde que as experiências da primeira infância, principalmente entre mãe e bebê, influenciam o padrão das conexões cerebrais de modo a moldar nossa personalidade e saúde mental futura. Apesar disso, não é possível lembrar-se dessas experiências conscientemente. Fica cada vez mais claro que boa parte de nossa atividade mental é motivada pelo inconsciente.

Repressão Justificada

Mesmo que sejamos fundamentalmente guiados por pensamentos inconscientes, isso não prova a afirmação de Freud de que reprimimos informações desagradáveis por vontade própria. No entanto, começam a se acumular estudos que apoiam essa noção. O mais famoso deles foi feito em 1994 pelo neurologista Ramachandran, da Universidade da Califórnia em San Diego, com pacientes que sofriam de “anosognosia”. Danos na região parietal direita do cérebro dessas pessoas fazem com que não percebam que possuem problemas físicos graves, como um membro paralisado. Depois de ativar artificialmente o hemisfério direito de uma paciente, Ramachandran observou que ela percebeu que seu braço esquerdo estava paralisado – e estava assim desde que ela havia sofrido um derrame, oito dias antes. Ela era capaz de reconhecer a ausência e tinha registrado inconscientemente esse fato nos oito dias anteriores, apesar de suas negativas conscientes de que houvesse algo errado.

Quando o efeito da estimulação acabou, a mulher não apenas voltou a acreditar que seu braço estava normal, mas também esqueceu a parte da entrevista em que tinha percebido que o braço estava paralisado, apesar de lembrar-se nos mínimos detalhes da conversa. Ramachandran concluiu: “A extraordinária implicação teórica dessas observações é que as lembranças realmente podem ser seletivamente reprimidas. Ver essa paciente me convenceu, pela primeira vez, da realidade do fenômeno da repressão que compõe a pedra fundamental da teoria psicanalítica clássica”.

Assim como os pacientes com o “cérebro dividido”, cujos hemisférios permanecem sem ligação entre si, os pacientes de anosognosia abstraem fatos indesejados, dando explicações plausíveis, mas inventadas, sobre ações motivadas pelo inconsciente. O hemisfério esquerdo emprega claramente os “mecanismos de defesa” freudianos, diz Ramachandran.

Fenômenos análogos também vêm sendo demonstrados em pessoas com cérebros intactos. Como disse o neuropsicólogo Martin A. Conway, da Universidade Durham, na Inglaterra, em comentário publicado na Nature em 2001, se efeitos significativos de repressão podem ser produzidos em pessoas normais num cenário inocente de laboratório, imagine só o tamanho dos efeitos produzidos pelo turbilhão emocional das situações traumáticas da vida real.

Freud foi mais além. Para ele, não somente grande parte de nossa atividade mental é inconsciente e vive em negação, mas a parte reprimida do inconsciente opera de acordo com um princípio diferente do “princípio de realidade” que governa o ego consciente. Esse tipo de pensamento inconsciente está ligado ao desejo e ignora tanto as leis da lógica quanto o tempo.

Se Freud está certo, danos a estruturas inibidoras do cérebro (a morada do ego “repressor”) liberariam formas irracionais, ligadas ao desejo, de funções mentais. É exatamente isso que se observa em pacientes com danos na região límbica frontal, que controla os aspectos essenciais da autoconsciência. Os pacientes apresentam uma síndrome conhecida como psicose de Korsakoff: não percebem que têm amnésia e preenchem as lacunas da memória com histórias inventadas, as confabulações.

A neuropsicóloga da Durham, Aikatereni Fotopoulou, estudou um paciente desse tipo em seu laboratório. O homem não conseguia se lembrar, nas sessões de 50 minutos em minha sala, durante 12 dias consecutivos, que já me conhecia e que havia se submetido a uma operação para retirar um tumor dos seus lobos frontais, o que causava a amnésia. Para ele, não havia nada de errado com sua saúde. Quando questionado sobre a cicatriz na cabeça, ele confabulava explicações absolutamente improváveis: que tinha sofrido uma cirurgia odontológica, ou uma operação de ponte de safena. Ele realmente tinha passado por esses procedimentos – anos antes.

Da mesma forma, quando questionado sobre quem eu era e o que ele fazia em meu laboratório, dizia que eu era um cirurgião dentista, um companheiro de bebida, um cliente em consulta profissional, um colega de time de um esporte que não praticava havia décadas ou um mecânico que estava consertando um de seus vários carros esporte (que ele não possuía). Seu comportamento era coerente com essas falsas crenças: ele olhava para a cerveja sobre a mesa ou para o carro através da janela.

Desejos Ocultos

O que chama a atenção nessas ideias falsas é a presença de desejo, uma impressão que Fotopoulou confirmou com a análise quantitativa de 155 das confabulações do paciente. As falsas crenças do paciente não eram aleatórias – eram geradas pelo “princípio de prazer” que, segundo Freud, é central para o inconsciente. O homem simplesmente reconstruía a realidade como queria que fosse. Observações semelhantes foram relatadas por outros pesquisadores, como Martin Conway, de Durham, e Oliver Turnbull, da Universidade de Gales. Eles são neurocientistas cognitivos, não psicanalistas, mas interpretam suas descobertas em termos freudianos, alegando, basicamente, que os danos à região límbica frontal que produzem as confabulações prejudicam os mecanismos de controle cognitivo, que são a base da monitoração normal da realidade, e libertam da inibição as influências implícitas do desejo na percepção, na memória e no julgamento.

Freud argumentava que o princípio do prazer, na verdade, exprimia impulsos primitivos, animais. Para seus contemporâneos vitorianos, a ideia de que o comportamento humano fosse no fundo governado por compulsões sem nenhum propósito mais nobre que a auto-realização carnal era simplesmente escandalosa. O escândalo se atenuou nas décadas seguintes, mas o conceito freudiano do homem como animal foi mantido em segundo plano pelos cientistas cognitivos. Agora ele está de volta.

Neurocientistas como Donald W. Pfaff, da Universidade Rockefeller, e Jaak Panksepp, da Universidade Estadual de Bowling Green, acreditam hoje que os mecanismos instintivos que regem a motivação humana são ainda mais primitivos do que imaginava Freud. Nossos sistemas básicos de controle emocional são iguais aos de nossos parentes primatas e aos de todos os mamíferos. No nível profundo da organização mental que Freud chamou de id, a anatomia e a química funcionais de nosso cérebro não são muito diferentes daquelas dos animais que vivem nos currais ou dos bichos de estimação.

No entanto, os neurocientistas modernos não aceitam a classificação freudiana da vida instintiva humana como simples dicotomia entre sexualidade e agressão. Através do estudo de lesões e do efeito de drogas, além da estimulação artificial do cérebro, eles identificaram pelo menos quatro circuitos instintivos básicos em mamíferos, sendo que alguns deles se sobrepõem. São o sistema de “recompensa” ou de “busca” (que inclui a procura de prazer); o sistema da “raiva” (que comanda a agressão raivosa, mas não a predatória); o sistema de “medo-ansiedade”; e o do “pânico” (que inclui instintos como os que comandam os impulsos maternais ou as relações sociais). Também se investiga a existência de outras forças instintivas, como um sistema de “brincadeira”. Todos esses sistemas cerebrais são regulados por neurotransmissores, substâncias químicas que carregam mensagens entre os neurônios do cérebro.

O sistema de busca, controlado pelo neurotransmissor dopamina, apresenta uma incrível semelhança com a “libido” freudiana. De acordo com Freud, os impulsos sexuais ou libidinosos são um sistema de busca de prazer que move a maioria de nossas interações com o mundo. Pesquisas recentes mostram que seu equivalente neural está diretamente envolvido em quase todas as formas de compulsão e vício. É interessante notar que as primeiras experiências de Freud com a cocaína – na maioria delas ele aplicava a droga em si mesmo – o convenceram de que a libido devia ter algum fundamento neuroquímico.

Farmácia Freudiana

Ao contrário de seus sucessores, Freud não via motivo para o antagonismo entre psicanálise e psicofarmacologia. Ele antevia com entusiasmo o dia em que a “energia do id” seria diretamente controlada por “determinadas substâncias químicas”. Os tratamentos que combinam psicoterapia com medicamentos que agem no cérebro são considerados hoje a melhor abordagem para muitos transtornos. E tecnologias de imagem mostram que a psicoterapia atua no cérebro de modo semelhante aos medicamentos.

As ideias de Freud também estão ressurgindo na ciência que trata do sono e dos sonhos. Sua teoria dos sonhos – a de que são um modo de vislumbrar os desejos inconscientes – foi desacreditada com a descoberta da correlação estreita entre o movimento rápido dos olhos (REM) e o ato de sonhar, nos anos 1950. A visão freudiana perdeu praticamente toda a credibilidade nos anos 1970, quando pesquisadores mostraram que o ciclo do sonho era controlado pela substância química acetilcolina, produzida em parte “desimportante” do tronco encefálico. O sono REM acontecia automaticamente, mais ou menos a cada 90 minutos, e era desencadeado por substâncias químicas e estruturas cerebrais que nada tinham a ver com a emoção e a motivação. Essa descoberta queria dizer que os sonhos provavelmente não tinham nenhum significado; eram simplesmente histórias concatenadas pelo cérebro para tentar refletir a atividade cortical aleatória provocada pelos acontecimentos do dia.

Estudos mais recentes vêm mostrando que o sono REM e o sonho são estados dissociáveis, controlados por mecanismos distintos, embora interajam. O sonho é produzido por uma rede de estruturas reunidas nos circuitos instintivo-motivacionais do cérebro anterior. Essa revelação deu origem a uma miríade de teorias sobre os sonhos, sendo que a maior parte delas remete a Freud.

Fibras dos Sonhos

Mais intrigante é a observação feita por mim e por outros cientistas de que os sonhos param totalmente quando determinadas fibras nas profundezas do lobo frontal se rompem – um sintoma que coincide com a redução geral do comportamento motivado. A lesão é a mesma que era deliberadamente produzida na lobotomia pré-frontal, um procedimento cirúrgico obsoleto usado para controlar alucinações. Esse tipo de operação foi substituído na década de 1960 por medicamentos que reduzem a atividade da dopamina nos mesmos sistemas cerebrais. O sistema de busca, portanto, pode ser o produtor básico dos sonhos.

Se a hipótese for confirmada, a teoria de que os sonhos estão ligados à realização dos desejos pode voltar a determinar a agenda do estudo do sono. Mas, mesmo que prevaleçam outras interpretações, todas elas demonstram que a conceituação “psicológica” dos sonhos voltou a ser cientificamente respeitável. Poucos neurocientistas ainda negam – como já fizeram sem medo – que o conteúdo dos sonhos tenha um mecanismo básico emocional.

Nem todos são entusiastas do ressurgimento dos conceitos freudianos na ciência mental. Não é fácil para a geração mais antiga de psicanalistas, por exemplo, aceitar que seus alunos e colegas mais jovens podem e devem sujeitar a sabedoria convencional a um nível totalmente novo de escrutínio biológico. Mas um número animador de cientistas mais velhos, dos dois lados do Atlântico, – comprometidos a pelo menos manter a mente aberta, como demonstram minha menção anterior aos psicanalistas eminentes que fazem parte do conselho da Neuro-Psychoanalysis e as muitas cabeças grisalhas da Sociedade Internacional de Neuropsicanálise.

Para os neurocientistas mais antigos, a resistência ao retorno das ideias psicanalíticas vem de um tempo, no início de suas carreiras, em que o edifício da teoria freudiana era praticamente indestrutível. Eles não reconhecem nem a confirmação parcial de alguns conceitos fundamentais de Freud; exigem sua completa eliminação. Nas palavras de J. Allan Hobson, um renomado psiquiatra especialista em sono da Faculdade de Medicina de Harvard, o recente interesse em Freud é nada menos que uma inútil readaptação de dados modernos a parâmetros teóricos antiquados. Mas, como disse Panksepp em entrevista de 2002 à revista Newsweek, para os neurocientistas que estão entusiasmados com a reconciliação entre neurologia e psicanálise, “não é uma questão de provar se Freud estava certo ou errado, mas de terminar o serviço”.

Se esse serviço puder ser concluído – se os “novos parâmetros intelectuais para a psiquiatria” de Kandel forem estabelecidos -, vai virar passado o tempo em que as pessoas com dificuldades emocionais tinham de escolher entre a terapia psicanalítica, que pode estar em desacordo com a medicina moderna e as drogas prescritas pela psicofarmacologia, que desvaloriza a conexão entre as substâncias químicas cerebrais que manipula e as complexas trajetórias de vida que culminam nos problemas emocionais. A psiquiatria do futuro promete oferecer aos pacientes, assistência fundamentada na compreensão integrada do que realmente governa o que sentimos e fazemos.

Quaisquer que sejam as terapias que o amanhã nos reserva, os pacientes só podem se beneficiar de um entendimento melhor de como o cérebro funciona. À medida que os neurocientistas modernos se voltam mais uma vez para as questões profundas da psicologia humana que tanto preocuparam Freud, é gratificante perceber que podemos construir sobre os alicerces que ele edificou, em vez de começar do zero. Mesmo que identifiquemos os pontos fracos das teorias de Freud e corrijamos, revisemos e completemos seu trabalho, é maravilhoso ter o privilégio de terminar o serviço.

Fonte: Exame Tecnologia

Fonte: Viver Mente

sábado, 19 de março de 2016

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domingo, 4 de outubro de 2015

GRAVIDEZ NA ADOLESCÊNCIA: PRINCIPAIS CAUSAS E CONSEQUÊNCIAS



                                                                                 

Jhéssica de Jesus Lopes1
Talita Peixoto de Figueredo2
Matheus de Oliveira Silva3
Márcia Vieira Alves4
Rita de Cássia Santana Januário5

RESUMO

A adolescência compreende todas as mudanças sociais e emocionais dessa faixa etária. Os processos de reflexões são de extrema importância na descoberta de muitos assuntos na adolescência, e a sexualidade na adolescência deve ser trabalhada com cuidado. O intuito aqui é promover um debate, embasado nas discussões e nas pesquisas bibliográfica onde embasamos para produzir o Workshop. Foram explanados os subtemas implicações de uma gravidez, implicações para a mãe e o bebê, impacto familiar e como prevenir. Importante lembrar que essa etapa é justamente aquela na qual estruturamos nossa identidade, uma fase em que se altera a visão de mundo a partir da infância, que inicia- se uma orientação para a fase adulta.

Palavras - chave: Adolescência, Família, Jovens, Gravidez.

ABSTRACT

Adolescence comprises all social and emotional changes this age group. Reflections processes are extremely important in the discovery of many subjects adolescence and sexuality in adolescence should be crafted carefully. The aim here is to promote a debate, based on discussions and bibliographical research where embasamos to produce the Workshop. Have been described subthemes implications of a pregnancy, implications for the mother and baby, family impact and how to prevent. Important to remember that this step is just one in which we structure our identity, a stage that changes the worldview from childhood, that initiative is a guide to the adult stage.

Key - words: Adolescence, Family, Youth, pregnancy.

INTRODUÇÃO

Segundo a Organização Mundial de Saúde (OMS) (BRILHANTE, CATRIB, 2011), a adolescência como a segunda década de vida, ou seja, dos 10 aos 19 anos aproximadamente, sendo uma etapa do desenvolvimento humano em que ocorre a transição entre a passagem da infância para a vida adulta, ocorrendo várias mudanças físicas, psicológicas, biológicas e sociais, na qual essas transformações levam a adolescência a ser uma fase complicada da vida, gerando vários conflitos. É uma fase conflituosa devido às transformações físicas e emocionais vivenciadas. Surge à curiosidade, os questionamentos, a vontade de conhecer, de experimentar coisas novas ciente dos riscos.
Segundo Papalia (2006), a maturação sexual leva a atividade sexual precoce, pois o adolescente, que ainda não está totalmente consciente de suas mudanças, acaba iniciando sua vida sexual de forma descuidada, seja por pressão dos amigos ou namorado, seja como forma de desafiar a família, enfrentando-a, entre outros motivos. Alguns pesquisadores apontam fatores como menor estigma em relação a mães solteiras, exaltação do sexo nos meios de comunicação, a ausência de uma mensagem clara de que sexo e paternidade, maternidade, são para adultos, a influência do abuso sexual de crianças e o fracasso dos pais em se comunicar com os filhos.
Além do pensamento do próprio adolescente, a sociedade também desenvolveu opiniões sobre o tema da gravidez, considerando-a como um risco social e um grave problema de saúde pública, devido a sua amplitude e magnitude, como também aos problemas que dela derivam: abandono escolar, risco durante a gravidez, conflitos familiares, aborto, abandono do parceiro, discriminação social e o afastamento dos grupos de sua convivência conforme (NETO, 2007).
Segundo Cervo, Bervian e da Silva (2007, p.61), a pesquisa bibliográfica “constitui o procedimento básico para os estudos monográficos, pelos quais se busca o domínio do estado da arte sobre determinado tema”, Assim, através da pesquisa bibliográfica e dados no Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), esse trabalho visa compreender o que leva os adolescentes a engravidarem, e quais seus motivos e consequências. A partir daí, será realizada uma intervenção de cunho informativo através de oficina, a qual esses adolescentes poderão interagir e refletir a respeito do tema aqui proposto, além de desenvolver medidas educativas visando à diminuição destas gestações.

METODOLOGIA

Para a realização deste estudo, de caráter exploratório, foram realizadas buscas em artigos científicos, livros e dissertações na literatura nacional, através das bases de dados eletrônicas e biblioteca digital, no período referente ao mês de abril de 2015. Utilizaram-se as seguintes palavras-chaves: Adolescência, Família, Jovens, Gravidez.
Através da compreensão da leitura, foi possível realizar uma discussão teórica do tema escolhido entre a equipe a qual objetivamos o desenvolvimento e produção desta pesquisa, visando à reflexão sobre a temática.
Workshop será realizado no intuito de proporcionar aos alunos uma conscientização e informação da necessidade de ter um cuidado maior com sua vida sexual de forma que estes venham refletir a respeito da gravidez na adolescência: principais causas e consequências.

DISCUSSÃO

O Workshop foi realizado no intuito de proporcionar aos alunos uma conscientização e informação da necessidade de ter um cuidado maior com sua vida sexual de forma que estes venham refletir a respeito da gravidez na adolescência: principais causas e consequências. A atividade realizou – se na Escola Municipal Maria Jose Lessa de Moraes, localizada na Rua Augusto Sá, n°91, Bairro da Conceição – Ipiaú - BA, que tem como diretora Márcia Pólvora.
O público alvo foi de alunos de 7° e 8° ano com a faixa etária de 14 a 17 anos. A escolha deste público se deu por estar dentro da faixa etária do tema proposto, visando trazer uma reflexão a esses adolescentes a respeito do tema Gravidez na Adolescência: Principais Causas e Consequências, visto que é um assunto atual e que, segundo fontes dos órgãos de pesquisa (IBGE, 1999) vêm aumentando gradativamente os números de adolescentes grávidas.
Até a década de 1970, as mulheres de 25 a 29 anos tinham a maior participação no total de partos registrados no país e, na década de 1980, verificou-se o crescimento da proporção de mães com idade entre 20 e 24 anos. Na década de 1990, já era possível observar claramente o aumento da proporção de mães adolescentes em todas as regiões brasileiras, embora o fenômeno seja mais acentuado nas regiões Norte e Centro-Oeste, onde os partos de mães menores de 20 anos estavam ao redor de 20% do total em 1990. Este fenômeno tem gerado apreensão em segmentos da sociedade e órgãos governamentais, devido à vulnerabilidade desse grupo nas questões relacionadas a aspectos biológicos e relações com a sobrevivência das crianças (IBGE, 1999).
A oficina foi importante também para perceber o nível de conhecimento dos adolescentes a respeito do assunto e como as informações são percebidas por cada um deles.
            Cabe destacar que a gravidez precoce não é um problema exclusivo das meninas. Não se pode esquecer que embora os rapazes não possuam as condições biológicas necessárias para engravidar, um filho não é concebido por uma única pessoa. E se cabe à menina a difícil missão de carregar no ventre, o filho, durante toda a gestação, de enfrentar as dificuldades e dores do parto e de amamentar o rebento após o nascimento, o rapaz não pode se eximir de sua parcela de responsabilidade.
Salientou-se que, seja para evitar uma gravidez não programada ou para se prevenir de doenças sexualmente transmissíveis, que os métodos anticonceptivos devem fazer parte da nossa vida. Por estes motivos, são disponibilizados nos postos de saúde oito tipos de métodos contraceptivos gratuitamente à população, podendo ser retirado gratuitamente. São eles: preservativos feminino e masculino (camisinha), pílula oral, minipílula, injetável mensal, injetável trimestral, dispositivo intrauterino (DIU), pílula anticoncepcional de emergência (mais conhecida como pílula do dia seguinte), diafragma e anéis medidores.
Também é importante lembrar que tudo tem seu tempo certo de acontecer, não é preciso correria para explorar a sexualidade tão cedo, e que essa exploração está sendo gerada pela consequência da vida moderna, como a globalização, a velocidade das informações, as potencialidades tecnológicas entre outros fatores. A informação é crucial para a formação destes meninos e meninas, e nós da área de saúde devemos levar estas informações às pessoas, de forma a trabalhar olhando o ser humano com o olhar social.

CONCLUSÃO

Promover a reflexão levando a informação a estes adolescentes nos tornou possível percepção de o quanto informar é importante, para que estes não atropelem esta fase da vida tão bela e que deve ser vivida adequadamente. Foi muito satisfatório levar este assunto para este público, pois se sabe que mesmo em meio a inúmeras informações proporcionadas pela mídia, pelas escolas, ainda existem as famosas desculpas que “aconteceu”. Sendo assim nosso intuito foi promover reflexão a cerca da gravidez nesta fase pode implicar em suas vidas futuramente e que infelizmente a criança sofrerá as consequências também.
A eventualidade da gravidez em uma juventude que mal começa a sair da infância pode significar uma série de problemas de ordem, social, saúde e emocional com consequências marcantes por toda a vida.
A gravidez precoce tem se tornado uma grande preocupação para gestão de saúde pública. Com poucas orientações e uma vida sexual cada vez mais precoce, muitas adolescentes estão engravidando numa fase da vida em que se encontram despreparadas para assumir tal responsabilidade. Notando-se que o fato da jovem engravidar envolve não só a si, mas, sobretudo, todas as pessoas que de alguma maneira fazem parte de sua vida.
Todavia essa etapa é justamente àquela na qual estruturamos nossa identidade, uma etapa em que se altera a visão de mundo a partir da infância, que é um processo que inicia- se uma orientação para a fase adulta, onde o adolescente experimenta diversos sentimentos que vão desde a alegria da notícia da gravidez ao desespero em gerar uma nova vida. Diante dessas vivencias e mediante a pesquisa bibliográfica pode se entender que o profissional de saúde e estes inclui o Psicólogo (a) deve está atento à sensibilidade e disponível a responder perguntas dos adolescentes ou da família. Promovendo um acolhimento que possa resultar no adolescente e na família um apoio, bem estar físico e psicológico.   

REFERÊNCIAS

BRILHANTE, Aline Veras Morais: CATRIB, Ana Maria Fontenelle. Sexualidade na adolescência; Outubro 2011, vol 39, nº 10, Guararapes – CEP: 60810-165 – Fortaleza (CE), Brasil.
BRASIL - Estatuto da Criança e do Adolescente. Disponível em: <http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/Leis/l8069.htm> Acesso em: 22 maio 2015. 
CERVO, Amado Luiz; BERVIAN, Pedro Alcino; DA SILVA, Roberto. Metodologia científica. 6. ed. São Paulo: Prentice Hall, 2007.
Fundação Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística. Cidades. Disponível em: http://www.ibge.gov.br/home/. Acesso em: 19 Maio 2015.
NETO, Francisco R. G. X. Gravidez na adolescência: motivos e percepções de adolescentes. Ver Bras Enferm, Brasília, 2007.
OPS - Organizacion Panamericana de la Salud. Salud reproductiva en las Américas. Genebra: OMS, 1992.
PAPALIA, D. Dolds, S e FELDMAN, R. Desenvolvimento Humano. Porto Alegre: Artmed, 2006.
UPF TV – Universidade de Passo Fundo, Canal de vídeos: Reportagem Gravidez na Adolescência, <https://www.youtube.com/user/upftvcanal>. Acessado em: 20 de Maio 2015.


1, 2, 3, 4 e 5 Respectivamente: Jhéssica de Jesus Lopes, Talita Peixoto de Figueredo, Matheus de Oliveira Silva, Márcia Vieira Alves e Rita de Cássia Santana Januário, graduandos em Psicologia pela Faculdade de Tecnologia e Ciências; Jequié-Bahia (2015).
Professor Orientador: Mestre Verena Santos Andrade Ferreira.
Endereços eletrônicos: matheusoliver0@gmail.com, jheuhtinha91@hotmail.com.br, marcia.life.22@hotmail.com, taali.peixoto@hotmail.com e rita.janu@hotmail.com.

terça-feira, 29 de setembro de 2015

terça-feira, 4 de agosto de 2015

Cinco (5) motivos para fazer seus funcionários felizes

As organizações passam por sucessivas mudanças para atender e se adaptar às novas exigências mercadológicas. Contudo, não basta dispor dos melhores recursos, estrutura ou da mais avançada tecnologia se as mesmas não forem sustentadas por uma gestão de pessoas focada em resultados. Por isso, o ser humano e o seu desempenho profissional são considerados o diferencial competitivo das organizações por serem fatores capazes de transformar o potencial de uma empresa.
Por perceberem essa realidade, há algum tempo as empresas buscam estratégias para conquistar a satisfação dos colaboradores em seu ambiente de trabalho, visando o impacto que esse fator tem sobre os resultados empresariais. A Psicologia Positiva, uma nova vertente no mundo corporativo, aponta para a necessidade das empresas se preocuparem com o bem-estar de seus colaboradores, que poderia aqui ser relacionado à felicidade que eles conseguem obter no ambiente de trabalho.
Poliana Landin, coordenadora do MBA Executivo em Desenvolvimento Humano e Psicologia do Instituto de Pós-Graduação e Graduação (IPOG), explica que a vertente surgiu na década de 1990 e tem se adentrado fortemente no mundo organizacional. “A Psicologia Positiva é um campo de estudo científico das forças e virtudes próprias do indivíduo, que tem por foco buscar no ser humano o seu potencial, a sua motivação e suas capacidades", explica.
Com esse entendimento do ser humano, destaca Landin, surge uma nova forma de gestão de pessoas, com o olhar voltado para o desempenho individual em seu mais alto nível, alcançado por meio de ações voltadas ao desenvolvimento humano em sua plenitude. 
Diante disso, confira 5 motivos para as empresas investirem na felicidade de seus funcionários:

1) Felicidade gera lucro

Empresas que focam no desenvolvimento humano, na busca por auxiliar o colaborador a se encontrar profissionalmente e, consequentemente, ser mais feliz no trabalho, conseguem obter resultados organizacionais surpreendentes, acima do esperado. Ao analisar-se o ranking da Great Place To Work (GPTW), que visa identificar as melhores empresas para se trabalhar, economistas perceberam que as organizações que estão nas melhores colocações são também aquelas que obtiveram excelentes resultados de negócios. Isso aponta que o investimento no bem-estar do colaborador pode impactar diretamente nos resultados organizacionais e, por esse motivo, tem-se encontrado empresas adeptas mundo afora, como o McDonald’s, Google, Zappos e Verizon, que usam métodos de gestão relacionados à Psicologia Positiva. No Brasil, empresas como Elektro, Natura, 3M já perceberam essa realidade e investem nessa nova forma de gestão.

2) Aumento do desempenho

O psicólogo norte-americano Daniel Goleman, autor do famoso livro Inteligência Emocional, diz que “a felicidade é o estado emocional ideal para o trabalho eficiente”. Isso demonstra que a felicidade proporciona um estado emotivo propício para as pessoas produzirem mais e de maneira mais efetiva. Nessa mesma direção foi a constatação de Shawn Achor, que diz que a “felicidade é fácil em tempos bons, mas é uma vantagem competitiva enorme durante os períodos difíceis”, visto que, quando as pessoas estão mais felizes, seu cérebro está mais ativo e flexível, permitindo e incentivando mais a produtividade, novas ideias e soluções de problemas. Para tanto, é necessário obter-se uma nova forma de gestão e de se pensar no colaborador. Quando o gestor investe na potencialização das forças e talentos do colaborador, esse colaborador poderá alcançar resultados extraordinários, pois atingiu seu potencial máximo.

3) Melhoria do clima organizacional

Um excelente ambiente de trabalho, segundo a GPTW, é aquele onde você confia nas pessoas (empresa) para quem trabalha, tem orgulho do que você faz e gosta das pessoas com quem trabalha. Isso é analisado em cinco dimensões que são: credibilidade, respeito, imparcialidade, orgulho e camaradagem. Além disso, todas as práticas de gestão (inspirar, desenvolver, contratar, escutar, cuidar dos colaboradores, dentre outras) têm como pilar principal a confiança, demonstrando que ela precisa ocupar um lugar central nas relações de trabalho.
Em um ambiente de trabalho, a confiança é um fator de grande relevância para gerar um clima propício para a entrega de resultados. De acordo com a professora Amy Edmondson, da Universidade de Harvard, um fator importante para proporcionar uma relação de confiança e respeito entre os membros de uma equipe é a chamada “Segurança Psicológica”, que é a certeza que os membros poderão ter de que ninguém será humilhado, desrespeitado ou punido se falar o que pensa, pedir ajuda quando precisar ou mesmo ao falhar na realização de seu trabalho. Essa relação de confiança e respeito na equipe, de segurança psicológica, faz com que os membros sintam-se confortáveis para discutir ideias, estabelecer novas estratégias quando ocorrer uma falha, aprender e melhorar seu desempenho.

4) Retenção de Talentos

Estudos mostram que o principal motivo que faz com que os funcionários queiram permanecer nas organizações é o fato da empresa proporcionar oportunidade de crescimento e desenvolvimento profissional. Em uma pesquisa realizada com os funcionários das empresas que estão no ranking das melhores empresas para se trabalhar no Brasil (que tem índices baixíssimos de rotatividade), 45% dos funcionários apontam que a possibilidade de se desenvolver é o que os mantém na empresa, seguidos de 25% que dizem que é o investimento da empresa em qualidade de vida e em uma gestão que possibilita equilibrar vida pessoal e vida profissional.
A preocupação dessas empresas com o bem-estar de seus colaboradores faz com que os mesmos desejem permanecer na empresa, sendo um fator que influencia diretamente na retenção desses talentos. Em um mercado acelerado e com alta competitividade, reter talentos significa redução de custos com desligamentos, com novas contratações, treinamentos, capacitações, etc. Além disso, quando a empresa retém talentos ela garante a continuidade de sua produtividade, visto que ela mantém colaboradores já treinados e capacitados para desempenharem suas funções e não perde esses talentos para o concorrente.

5) Sucesso organizacional

John Wooden, um técnico de basquete americano, reconhecido por seus resultados admiráveis com o time UCLA e também pelo significativo papel no desenvolvimento de lideranças, diz em seu livro a Pirâmide do Sucesso: “sucesso é a paz de espírito obtida somente através da satisfação própria em saber que você se esforçou para fazer o melhor do que você é capaz”. Para ele, as vitórias, os ganhos são apenas consequência do seu esforço e dedicação para fazer o melhor que você é capaz, ser a melhor pessoa que você poderia ser. Ao contrário do que é pensado pelo senso comum, que sucesso traz felicidade, o que é constatado por pesquisas é que a verdade é totalmente contrária: felicidade é que traz sucesso. É natural pensar que devemos trabalhar duro para atingir uma meta e se a atingirmos, assim seremos felizes. Mas, nosso cérebro entende que ao atingir uma meta é necessário ter outra ainda maior, para viver novamente a experiência de felicidade. No entanto, que dessa forma a felicidade passa a ser momentânea e nesse caso, felicidade e sucesso tendem a se distanciar.
Seguindo esse raciocínio, para obter-se sucesso organizacional, a melhoria de desempenho de resultados (conforme colocado nos outros pontos) é mais efetivo investir na felicidade nos seus colaboradores e não apenas focar todos os esforços da empresa para a obtenção de suas metas. 

Fonte:http://www.administradores.com.br/noticias/carreira/5-motivos-para-fazer-seus-funcionarios-felizes/103834/
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